terça-feira, 5 de junho de 2012

Tudo no mundo é secreto. 
No final do ano passado, depois que alguns jornais noticiaram que a editora 
responsável por esta publicação me havia encomendado um texto sobre o pecado da 
luxúria, os originais deste  livro e o recorte da nota de um dos jornais em questão 
foram entregues por um desconhecido ao porteiro do edifício onde trabalho, 
acompanhados de um bilhete assinado pelas iniciais CLB. 
Informava que se trata de um relato verídico, no qual apenas a maior parte dos 
nomes das pessoas citadas foi mudada, e que sua autora é uma mulher de 68 anos, 
nascida na Bahia e residente no Rio de Janeiro. Autorizava que os publicasse como 
obra minha, embora preferisse que eu lhes revelasse a  verdadeira origem. "Não por 
vaidade", escreveu ela, "pois até as iniciais abaixo podem ser falsas. Mas porque é 
irresistível deixar as pessoas sem saber no que acreditar". Assim foi feito, e com justa 
razão, como o leitor haverá de constatar, após o exame deste depoimento espantoso. 
Embora não tenha tido dificuldades extremas para a edição do texto, é meu 
dever prazeroso agradecer a Andréia Drummond pela paciência e afinco na decifração 
de muitas emendas manuscritas, a Maria de Lourdes Protásio Benjamin pela mesma 
razão e a Geraldo Carneiro,  por sua valiosa ajuda no esclarecimento de algumas 
passagens, em que a revisão dos originais parece não ter atentado a problemas 
certamente ocorridos na transposição das fitas gravadas para o  papel. Essa ajuda 
também foi fundamental para  a divisão do texto em seções e parágrafos, bem como 
para a inserção de raros trechos em discurso direto e diversos acertos de pontuação, 
com o que creio que somente facilitamos a  leitura, sem alterar  o sentido de forma 
significativa. Mantivemos também inúmeros "erro de português", com o fito de 
preservar, tanto quanto possível, a oralidade dos originais. 
Pela transcrição 
João Ubaldo Ribeiro 
Rio de Janeiro, maio de 1998.

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